• Thiago Barcellos

5 animações clássicas russas que você precisa conhecer



Não é novidade pra nenhum mortal que as animações são parte integrante da cultura tanto de povos quanto de nações. Cada país tem seu próprio estilo, suas próprias caraterísticas e objetivos, enfim, sua própria história. Na Rússia, a indústria de desenhos animados, muito florescente na época soviética, é hoje menos desenvolvida em comparação com os gigantes da área – os Estados Unidos e o Japão.


A Ovelha elencou as cinco melhores animações da era soviética pra você conhecer, ver ou rever e, porque não, bancar o bucaneiro e baixar sem dó nos torrents da vida?



1 . OURIÇO NO NEVOEIRO


Dirigido por Yuri Norstein

União Soviética, 1975



É difícil escrever sobre Yuri Norstein. Por décadas, ele foi o animador mais conhecido e amado da Rússia. Galões de tinta foram derramados sobre ele - da Europa Oriental à América e o Japão. Ele conta com ninguém menos Hayao Miyazaki entre seus fãs.


O filme, com base na história infantil de Sergei Kozlov, um pequeno ouriço, de curiosidade e inclinação filosófica, vai visitar o seu amigo urso. Ambos têm uma longa tradição de que à noite precisam beber chá perfumado e contar as estrelas. No caminho, perdido na névoa, encontra um cavalo, um cão, uma coruja e um peixe.


São 11 minutos fascinantes que são um marco da animação soviética, produzida com a técnica de Norshteyn de usar várias camadas de vidro que mexem-se de modo a criar a impressão de movimento. A névoa do título foi feita com papel vegetal fino. Quando colocado diretamente sobre o personagem principal, o papel se torna praticamente invisível. "Mova-o em várias camadas, focalizando mais perto da câmera e o ouriço desaparecerá como que engolido pela bruma!", relembrou o animador mais tarde.


Aqui, vemos o mundo como um lugar confuso, assustador, mas possivelmente benevolente - exatamente quando você era uma criança.


Uma pequena fábula, tão dolorosa quanto adorável, sobre uma viagem inocente e que pode dizer muito sobre o poder da amizade, mas também revelar sobre os profundos elos que regem as relações humanas.



2. A RAPOSA E A LEBRE


Dirigido por Yuri Norstein

União Soviética, 1973



Depois que seu palácio de cristal se dissolve no degelo da primavera, a raposa se apossa da casa das lebres deixando-as sem teto. O choro das lebres traz ajudantes na forma de um grande lobo cinzento e um touro.


Este filme é uma metáfora, do ponto de vista russo, para a atuação soviética na libertação da Polônia dominada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. Entretanto, a entonação do narrador confere a essa fábula uma sutileza que também simula uma canção de ninar - para adultos.



3. MAN IN THE FRAME


Dirigido por Fyodor Khitruk

União Soviética, 1966



O curta de animação do diretor Fyodor Khitruk, Man in the Frame, é sobre um homem solteiro que passa seus dias cercado por uma moldura, pendurado como um quadro na parede da vida.


A primeira moldura que ele tem é simples e indefinida, mas à medida que ele envelhece e sobe na escada da burocracia governamental, a moldura se torna mais ornamentada, mas nunca realmente maior. Finalmente, em um momento crítico para possivelmente encontrar um sentido para sua vida, tendo alcançado o topo do mundo corporativo, o homem ignora um grito desesperado de ajuda vindo de fora de sua confortável residência.


Uma sátira social aos burocratas sobre um homem que está tão consumido por seu próprio mundo que literalmente perde todo o sentido de ser.



4. VINNI-PUKH


Dirigido por Fyodor Khitruk

União Soviética, 1969



Criados entre 1969 e 1972, os três filmes de Khitruk estrelam um urso chamado Vinni-Pukh, que não se parece em nada com o Ursinho Pooh com quem os ocidentais cresceram.


Mas os espectadores certamente reconhecerão o enredo e o espírito do Pooh original nas adaptações soviéticas que, durante décadas, encantaram os espectadores da Europa Oriental.


Baseado nas obras do escritor inglês, A.A. Milne, o Ursinho Pooh russo é completamente diferente da versão da Disney que a maioria das pessoas conhece.


Nosso Pooh "comunista" foi dublado pelo gênio Yevgeny Leonov, e é bem diferente tanto da encarnação em amarelo e vermelho da Disney, como das ilustrações de seu criador, Ernest Howard Shepard, aqui marrom, em vez de amarelo, como é conhecido nos EUA.



5 . CONTO DOS CONTOS


Dirigido por Yuri Norstein

União Soviética, 1979



Norstein era, como Miyazaki, muito opinativo e particular, mesmo em seus primeiros anos. A Soyuzmultfilm, a estatal russa de animação, estava no meio de um boom criativo, mas Norstein ainda estava insatisfeito com muitos dos projetos que animava.


“Eu me odiava, os filmes, o estúdio”, comentou mais tarde. Ele passou a não gostar da animação de fantoches como forma de arte, preferindo animar com recortes de papel.


Aqui, como os filmes de outro grande cineasta russo, Andrei Tarkovski, essa obra, bem mais madura do que suas primeiras experiências, é sobre memória e nostalgia.


E sério, eu estaria mentindo se dissesse que entendi claramente o que se passou pela minha retina. Mas estaria mentindo bem mais se dissesse que isso me incomodou - tão lúcida é a atmosfera da animação de Norstein, evocando a sensação de quão assustador / opressor é o mundo quando você é uma criança.


A partir daí, os traços gerais são suficientes pra mim: algo sobre um pai perdido na guerra, uma contemplação de contos de fadas e um refúgio de infância que está quase perdido - mas não completamente.





26 visualizações0 comentário
GoogleMaps Logo Shadow.png
GoogleMaps Pin.png