5 animações polonesas obrigatórias



Poetas do imaginário, fantoches, mestres do stop motion, ilustradores e especialistas em tecnologia 3D - a Polônia possui uma impressionante variedade de animadores premiados mundo afora.


A escola polonesa de animação rapidamente se espalhou por diferentes continentes após a Segunda Guerra Mundial. Criadores como Lenica, Borowczyk, Szczechura, Kucia, Giersz, Rybczyński e Dumała ganharam prêmios de imenso prestígio em festivais mundiais e trouxeram a animação polonesa para os holofotes


Fizemos um pequeno compêndio de 5 animações polonesas imperdíveis; obras clássicas, passando por experimentais e tantas outras laureadas em festivais, além, claro de contemporâneas. São filmes que exploram significados ocultos, brincam com estereótipos e dão vida a objetos inanimados em mundos curiosos.



AGUARDANDO

OCZEKIWANIE

Dirigido por Witold Giersz (1962)



Por muitos anos, Giersz foi o animador mais prolífico da Polônia. E embora tenha deixado de fazer filmes na década de 1990, em 2013, após dezessete anos de um hiato incompreensível, ele voltou. O tão esperado Signum é uma referência às pinturas rupestres de Lascaux e o próprio filme é uma homenagem aos primeiros mestres da pintura. Em vez de usar tecnologia de computador, o diretor voltou aos fundamentos - usou pigmentos naturais, argila e carvão, e substituiu a tela por pedras.


Em Aguardando, de 62, seu filme mais famoso, um homem espera por uma mulher em um café. Preguiçosamente, ele forma duas figuras com os guardanapos de papel sobre a mesa e estas tomam vida.


Witold Giersz mostra seu virtuosismo na animação neste conto tragicômico, animando guardanapos na escala da vida real e usando os objetos reais sobre a mesa como adereço. O roteiro clássico do Arlequim e sua amada é executado de forma sublime.



VERMELHO E PRETO

CZERWONE I CZARNE

Dirigido por Witold Giersz (1964)



Witold Giersz é de longe o animador polonês mais desafiador de se descrever. A sua produção artística é enorme e ele está ativo desde os anos 60.


Ao longo dos anos, ele empregou diferentes técnicas. Giersz é autor de desenhos animados para crianças, filmes educacionais e projetos artísticos independentes.


Aqui, Giersz usa uma técnica de pintura de figuras diretamente em fitas de celuloide sem enquadrar imagens.


Uma batalha surpreendente torna-se o ponto de partida para um conto bem-humorado envolvendo não apenas personagens habilmente animados, mas também o próprio animador.


Um clássico da animação polonesa que conta a extravagante história de duas manchas coloridas que se transformam em um touro e um toureiro.



ESCADARIA

SCHODY

Dirigido por Stefan Schabenbeck (1969)



Stefan Schabenbeck, autor de Everything is a Number (1966), Exclamation Mark (1967) e esse Escadaria, se encaixa na corrente filosófico-reflexiva da animação polonesa. A contribuição do artista para a animação polonesa foi a perspectiva pitagórica.


Schabenbeck usou o filme para falar sobre a vida humana, mas enfatizou as percepções micro e macro. Quando vista de um ângulo diferente, a vida parece diferente.


Seu protagonsita, uma figura solitária que tenta chegar ao topo de uma escada, aparece ao lado de figuras geométricas, números e formas. O filme mostra a vida como uma árdua subida em um labirinto de escadas.


Seus filmes incomuns, que sempre podiam ser interpretados de várias maneiras, ocupam um lugar importante na animação polonesa e foram um fenômeno na década de 1960.



COM AMOR, VAN GOGH

LOVING VINCENT

Dirigido por Dorota Kobiela e Hugh Welchman (2017)



À medida que as cores brilham e tremem, entendemos como o artista via o mundo, não apenas como existência estática, mas como ação vibrante.


O ponto do estilo de Van Gogh na tela sempre foi seu dinamismo, sua mobilidade. Pintor prolífero, produziu mais de dois mil trabalhos em cerca de duas décadas. As cores saturadas e as pinceladas largas refletem o seu tumulto interior. Nessa animação da dupla Kobiela e Welchman é um banquete visual que se move, respira e vibra - como a vida.



TROCA DA GUARDA

ZMIANA WARTY

Dirigido por Włodzimierz Haupe & Halina Bielińska (1958)



O plano de fundo consiste em contornos de edifícios altamente gráficos em um palco vazio.


Os 'atores' são caixas de fósforos. Nós os vemos marchando, enquanto um deles, um guarda noturno, se apaixona por uma caixa de fósforos feminina em uma janela ("ela" é reconhecível como uma mulher, por causa dos lábios pintados).


Quando os dois se encontram à noite, pegam fogo, e a chama devora todo o regimento. Então, no dia seguinte, os civis colocaram uma placa de 'proibido fumar'.


O stop motion de Haupe e Bielińska é muito primitivo, mas eficaz, e sua abordagem minimalista, mostrando o quão pouco é preciso contar uma história comunicativa e ressonante. O design elegante e a animação eficaz tornam o curta delicioso de assistir.


A obra ganhou o Prêmio Ex-aequo de Curta-Metragem no Festival de Cannes em 1959.



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