• Thiago Barcellos

Animações Bizarras e Obscuras dos anos 90 I PARTE 5: "Highlander"



Highlander: O Guerreiro Imortal (1987), é uma obra de fantasia, de cavalaria, um capa espada de quimera, um Super Mario do multiverso (afinal, o herói não tem que salvar a princesa no "último estágio"?).


Connor MacLeod, aqui interpretado pelo canastríssimo Christopher Lambert, é um guerreiro escocês imortal do século XVI que, para o bem ou para o mal, nasceu “highlander”, ou seja, com o dom de ser eterno.


A obra do australiano Russel Mulcahy se tornou cult ao longos dos anos a ponto de criar uma base fiel de fãs. E a ideia de eternidade, apesar de utópica, sempre permeou a cabeça da humanidade. Daí o tema ser pauta inesgotável de tantas obras no teatro, na literatura, nos games, nos desenhos animados e, claro, no cinema.


Sua jornada épica percorre a Escócia medieval à Nova York contemporânea. Uma história boa que só. Tem até o bom e velho Sean Connery (que Deus o tenha), na pele dum aristocrata espanhol. Mas cá pra nós, não há nada que funcione melhor que a esterilidade sistemática da atuação de Lambert, com seu jeans puído, capa jogada no lombo e um gélido ar blasé.



O filme demorou a decolar, mas alçou voo. E, atendendo as exigências do mercado do entretenimento, virou franquia.


E, não há quem não concorde que o lema dos guerreiros imortais, “só pode haver um”, deveria ser aplicado ao pé da letra para o filme.


Highlander II é o suprassumo da patifaria, o 3 é medíocre e a série... bom, tem lá seus encantos. O inusitado desenho animado de 1994 também tem pontos altos e baixos, mas é muito mais fácil de apreciar se não pensar no filme original. Foram 40 episódios em 2 temporadas.



O desenho animado foi produzido pela lendária produtora francesa Gaumont e protagonizado por Quentin MacLoed, filho do protagonista do filme original, Connor MacLoed. Esse novo Highlander é um adolescente criado pela tribo dos Dandees nas Highlands.


A história se passa num futuro distópico, depois que o choque dum asteroide por pouco não pulveriza a Terra. Quentin e os outros Imortais renegam os sopapos entre si até que apenas um permaneça para ganhar o Prêmio e juram preservar o conhecimento humano e ajudar a humanidade. Mas Cortan, um Imortal chato de galochas, não faz o tal pacto e assim começa um reinado de terror.



Esta coprodução franco-canadense realmente ultrapassou os limites do que poderia ser um spinoff. Incrivelmente cheio de folclore e começando com o assassinato do protagonista original do filme, este é definitivamente um candidato a animação mais bizarra a compor essa nossa lista. Por pertencer à franquia Highlander, há também alguns saltos graves no tempo (e no roteiro) - e uma quantidade surpreendente de mortes para uma série voltada para um público tão jovem.


Fãs da franquia existem aos potes por aí. Mas o negócio é que muitos veem essa série de animação como uma farsa, mas eu achei até meio divertido. Por si só, ele apresentou o mito do Guerreiro Imortal a um público que talvez não conhecesse os filmes, apesar de parecer uma mescla surreal entre Mad Max e Thundarr, O Bárbaro. E, se você olhar para ele como um "corpo separado", é até bastante agradável.


A direção de arte tem seu charme, as histórias são um pouco cheias demais de lições de moral, mas suficientemente sombrias. A animação é pra lá de ordinária, mas o design dos personagens convence. Não é uma obra-prima, mas era um bom desenho. Bom, não sei.

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