• Thiago Barcellos

Animações clássicas dos anos 60 I PARTE 1: "Os Herculoides"



Joseph Barbera trabalhava num banco. Aí, veio a Grande Depressão e ele decidiu mudar de ares, de foco e partiu pro cartoon, sua grande paixão. Barbera catou papel e pincel e foi parar no setor de animação da MGM, em Hollywood. Seu forte, além dos desenhos, era a criação das histórias. Um belo dia, conheceu William Hanna, que tinha bem mais tino para os negócios que ele. Na Metro, criaram a dupla Jasper e Jinx que mais tarde fora rebatizada como Tom e Jerry.


Na década de 1940, enviaram seus desenhos e roteiros para ninguém menos que Walt Disney, que prometeu encontrá-los na semana seguinte para contratá-los. Disney nunca apareceu. A dupla mandou tudo às favas, pediram as contas e decidiram abrir o próprio estúdio. Após eles, a história da animação nunca mais seria a mesma.


Juntos, criaram uma genial prole que vai de Flintstones, Manda-Chuva, Jetsons, Zé Colmeia, Scooby-Doo até Corrida Maluca. Entre 1943 e 1952, a dupla já havia papado sete Oscars.


No final dos anos 60, o estúdio deu ao público possivelmente o desenho mais estranho dessa série: Os Herculoides - uma produção puramente sci-fi disfarçada de atração infantil.



Nos confins do universo, em algum lugar do espaço sideral vive uma família disposta a meter o sarrafo em qualquer raça alienígena que ousar pisar em seu planeta natal. Produzido para a tevê norte-americana entre 1967 e 1969, e exibido aqui nos anos 70 e 80, Os Herculoides eram: o casal Zandor e Tara; Dorno, o filho destes; Zok, um dragão elétrico; Igoo, um gorila de pedra; Tundro, uma mistura bizarra entre um triceratops e um rinoceronte e que ainda lançava esferas de energia através do chifre; e Gloop e Gleep, duas criaturas algo amorfas e fantasmagóricas.


A contratação do designer de personagens e eventual criador da série Alex Toth, fez da série um sucesso inesperado, e durou dezoito programas com dois episódios cada, totalizando 36 capítulos. Os roteiros sempre foram boas estórias de ficção científica, em pouca coisa lembrando um programa infantil.


Era quase como se Toth quisesse testar se ele poderia criar uma animação inteiramente sobre design de personagens, com quase nenhuma construção de mundo com “regras” específicas.



A narração de abertura do desenho confirma isso. Sua primeira linha - falada pelo dublador original, Mike Road, que dá voz basicamente a todos os homens adultos e criaturas - é excepcionalmente vaga:


EM ALGUM LUGAR NO ESPAÇO VIVEM OS HERCULÓIDES!


Isso é literalmente tudo o que sabemos em termos de quem ou o que são os personagens. Zandor, Tara e Dorno são todos humanos que se parecem vagamente com os bárbaros de Robert E. Howard, criador de Conan. Mas e as outras criaturas? Eles não parecem ser do mesmo planeta, muito menos do mesmo time dos heróis.


Além disso, tudo o que eles fazem é lutar contra invasores interplanetários. Mas o motivo desses intrusos quererem o planeta dos heróis (que é chamado de Amzot ou Quasar, dependendo do episódio) nunca é estabelecido. O lugar, inclusive se parece com um mundo primitivo cheio de selvas e paisagens rochosas. Só no nono episódio é que vemos outros habitantes, já que Os Herculoides ajudam alguns aldeões que estão sob ataque de um bando de símios alienígenas. Às vezes há castelos. Noutras vezes, apenas cabanas de feno ou construções que lembram choupanas. Mas na grande maioria das vezes não há vivalma.


E os vilões, em sua maioria, são muito mais bem equipados: exércitos de robôs munidos de armas laser, serpentes gigantescas, frotas de discos voadores e o escambau. E ainda assim um homem com um escudo e uma funda (sim!) e sua gangue de bichos estranhos sempre vencem.



Cada um dos 18 episódios da série consiste em duas aventuras geralmente não relacionadas e não há nenhuma ligação entre elas. O espectador pode, essencialmente, assistir a qualquer episódio em qualquer ordem. E, no entanto, todos esses elementos díspares (e, cá pra nós muito estranhos), funcionam totalmente mesmo depois de tantos anos.


Os Herculoides ocupam um lugar especial na história da animação dos estúdios Hanna-Barbera numa era pré-Scooby-Doo. A serie se tornou objeto de culto fervoroso ao longo dos anos, principalmente devido aos seus designs de personagens inegavelmente legais.


Alex Toth deixou sua imaginação correr solta através de seus designs engenhosos de criaturas e por vários anos foi rei.

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