• Thiago Barcellos

Animações clássicas dos anos 60 I PARTE 4: "A Pantera Cor-de-Rosa"



Criada durante a Idade de Ouro da Animação, A Pantera Cor-de-Rosa foi uma ideia de Friz Freleng e David DePatie para os créditos iniciais de aberta do filme homônimo de 1963, dirigido por Blake Edwards.


Acontece que a película começa com uma simpática animação de um felino de andar lânguido fumando uma piteira, que não durava nem um minuto, mas caiu nas graças de quem assistiu.


O filme é estrelado pelo gênio da raça Peter Sellers, como um policial da Interpol atrapalhado mas que tem pinta de tira sabido. Suas investigações correm por caminhos os mais tortuosos e atabalhoados que se possa imaginar. No papel do Inspetor Clouseau, Sellers precisa encontrar um ladrão de diamantes que está mais perto do que ele imagina: o criminoso é também o amante de sua esposa.


Apesar de Bonequinha de Luxo com a lendária Audrey Hepburn, Blake Edwards será sempre recordado como o realizador de A Pantera Cor-de-Rosa. A pantera do título não se refere a Clouseau e seu humor físico, mas ao diamante que este procura resgatar entre mil trapalhadas.



Com o sucesso estelar do curta de animação que embala os créditos da película, Edwards resolveu então produzir um desenho para a TV em 1969 e que se centra nas desventuras hilárias de uma pantera pra lá de elegante. Aliás, tudo no desenho é elegante. Do despojamento dos traços - elemento sobremodo tátil - ao jogo solto das cores. Aliás, me lembra muito Matisse.


Matisse inclusive, exímio colorista, sabia tudo a respeito das cores. Sua obra é feita de cores puras que certamente remetem a desenhos infantis e é o artista que, na tradição Ocidental, melhor dominou o uso da cor rosa.


O tema histórico de Henry Mancini foi tão bem sucedido que tornou-se, mais do que uma tradução, mas um equivalente sonoro da Pantera. É como se o movimento da pantera – seu jeito dândi de se locomover – fosse mimetizado pela ação sonora; é a cor rosa encontrando perfeito paralelo no timbre algo aveludado do sax que segue a geometria da fisicalidade da personagem. Logo, é quase impossível descolar a imagem e o som.


Alguns anos antes da estreia da série para a TV, The Pink Phink, ganhou o Oscar de Melhor Curta de Animação em 1964 - a primeira vez na história em que um estúdio de animação ganhou um com seu primeiro desenho animado.



Os curtas subsequentes colocaram a Pantera em situações que vão do mundano ao fantástico, sempre com a música-tema popular de Henry Mancini em algum lugar da partitura. A maioria dos curtas era silencioso, exceto pelos rabiscos, efeitos sonoros e música. Cerca de 56 países transmitiram as peripécias da quarentona Pink Panther e de seu inseparável adversário o inspetor Clouseau.


E é extremamente curioso o fato de que antes da opção por Mancini, outro compositor havia sido convidado para fazer a trilha da Pantera: Tom Jobim. No comecinho dos 60, Tom já era a pedra de toque, o suprassumo do compositor e bastante requisitado para musicar filmes nos Estados Unidos. Fato é, que Antônio Brasileiro Tom declinou o convite. Por um lado, sorte nossa: sabe-se lá o que seria da Pantera sem ele.









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