• Thiago Barcellos

Embrafilme, Jorge Luis Borges e "Casablanca"



Dia desses, vi alguém cantando láureas sobre a Embrafilme (estatal extinta que fomentava, produzia e distribuía filmes brasileiros, e que foi pulverizada nos anos 90).


Ora, a empresa era gerida por safardanas da pior estirpe; e entre mamatas e crocodilagens mil, um mundo de pessoas desqualificadas. O insucesso crônico de vários desses filmes se deu por conta de certos embusteiros que capitaneavam essas produções.


Fiquei sabendo através de fontes fidedignas que de 1 bilhão de cruzeiros (antigos), o beneficiário embolsava 25% e gastava o resto no filme, que era, invariavelmente, fracasso certo. Sem dar nome aos bois, Moniz Viana, um dos críticos de cinema legendários, escreveu várias vezes na Tribuna da Imprensa que a Embrafilme terminaria em roubalheira.


Falou e disse.





O Perfume da Senhora de Preto, (1974), de Francesco Barilli, filme italiano inscrito no subgênero fílmico giallo, é gema do cinema de pesadelo. Trata-se de um surto delirante num mundo de espelhos, onde se revelam as perversidades humanas. E espelhos são coisas malditas, pois duplicam os seres - já disse Jorge Luis Borges.


Com ecos em O bebê de Rosemary de Roman Polanski, é um dos cults do cinema italiano de terror setentista, e que aborda a conturbada vida de uma mulher assombrada pelo fantasma da mãe suicida.


A obra gira em torno de uma cientista frente a uma espiral trágica ao experimentar a barbárie de um assassinato. Uma solene raridade italiana emoldurada num sinistro conto barroco.





Michael Curtiz, húngaro, radicado em Los Angeles desde 22.


Um dos grandes técnicos do cinema de ação e de aventura, responsável direto pelo mito Errol Flynn.


Curtiz realizou um dos filmes mais representativos de Hollywood dos anos 40 - Casablanca. Curtiz é o cineasta não americano mais americano que já vi. Não posso conceber maior elogio. Para americano.

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