• Thiago Barcellos

Fritz Lang: um cineasta “abominável”



Um breve sobre Fritz Lang.


Foi oficial do exército austro-húngaro na Primeira Guerra até que o projétil de uma granada o transformou num ciclope.


Sua estreia deu-se com o futurista Metropolis (1919), filme que além de quase falir a produtora UFA, passou à história como um representante legítimo do nascente Expressionismo Alemão.


Metropolis é, essencialmente, uma obra acima dos muros. É filme do branco e do preto, das sombras pintadas que discriminam com nitidez o claro do escuro, a luz, a treva - e quão grandes trevas são.


Mais adiante, em 31 dirigiu, de forma soberba, Peter Lorre em M, o vampiro de Düsseldorf (1931), a respeito dum infanticida leva o terror a uma cidadezinha. Este que foi o primeiro filme falado de Lang e, conta-se, que a ideia lhe veio quando tomou conhecimento sobre um assassino de crianças, Peter Kürten, que, por volta de 1925, cometeu 10 crimes na cidade de Düsseldorf.


Pra início de conversa, a película fora batizada de "Os assassinos estão entre nós". Entretanto, como o Marechal Hindermburg estava no poder à época, julgou desonra para a Alemanha conservar o título. Seja como for, o filme reflete o clima de profundo horror que predominava no País, na época da ascensão do nazismo.


"M, o Vampiro de Düsseldorf" (1931)

Cerca de uma década antes, com seu A morte cansada (1921), filme atípico na vanguarda do Expressionismo Alemão, conta que a própria morte chega num vilarejo perdido no tempo e compra um terreno ao lado do cemitério local, se configurando como uma das personagens mais solitárias da história do cinema. Neste, a morte que se ressente da fadiga tão humana, amaldiçoada o mundo por cumprir os designíos divinos.


A mulher de Lang, Thea, ficou francamente ao lado dos nazistas quando o casal fora convidado para supervisionar a indústria cinematográfica alemã pelo venal Joseph Goebbels. Quando foi viver nos EUA, já divorciado, se divertia por conta de sua feição caricaturesca e prussiana que metia medo em meia Hollywood.


"A Morte Cansada" (1921)

A trilogia Mabuse (inicida em 22 com Dr. Mabuse, o Jogador e terminada em 60 com Os Mil Olhos do Doutor Mabuse que satirizava certos costumes nazistas), são algumas de suas obras-primas.


Os grandes temas de sua carreira: ódio, assassinato, morte e vingança.


Um dia, cansado de produtores metediços e controladores, Lang foi fazer filmes na África.


Cego como uma toupeira, presidiu o festival de Cannes em 64.



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