• Thiago Barcellos

Greendog e o vazio da existência humana



Se o Mega Drive tivesse um add-on cujo único game compatível fosse o Greendog, o dispositivo emanaria odor e esse seria o de marola jamaicana. E da boa.


Em Greendog, game da Sega, de 1992, seu personagem é um surfista franzino com um corte de cabelo que já foi moda no período triássico. Some a isso uma fuça tão sem vida e estática quanto a de um manequim da C&A. Pra finalizar, o caminhar é de dândi, despreocupado, que há décadas dá tapa na pantera e não é viciado.


Com um pendante asteca amaldiçoado em volta do pescoço, seu personagem voa de pedalcóptero, rema no skate e caminha por estágios escaldantes de motivos praianos e selváticos como um flagelado na seca. Pra experiência ficar ainda mais autêntica, só faltava arrumar uma cadela e batizar de “Baleia”.


Estrelas do mar, araras, baiacus, pelicanos com sequelas de um AVC isquêmico e piranhas. Muitas delas. É toda a diversidade de uma fauna tropical como antagonista, mas que grotescamente emitem o mesmo som do canhão do Missile Command do Atari 2600.



Com o entorpecimento proporcionado pela trilha caribenha que roda em loop, em poucos minutos o jogador se dará conta do vazio que é a existência humana.


Algumas revistas especializadas à época, tanto as gringas quanto as nacionais, ficaram de joelhos: "Eu sou Greendog, o surfista mais cool que você vai conhecer!"


Como diriam os sociólogos de botequim Baden Powel e Vinícius de Moraes, "o homem que diz 'sou' não é".

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