• Thiago Barcellos

Jean Renoir continua ditando as regras do jogo



Meu filme francês de cabeceira é A regra do jogo (1939) de Jean Renoir.


À época do lançamento, a obra sofreu um revés retumbante. Seu fracasso perdurou até nos relançamentos: 1945 e 1948.


Entretanto, apenas em meados dos anos 60 (1965, mais precisamente), que o mundo percebeu a obra-prima que o filme de Renoir era.


Caso é que em 1939, na estreia, o governo francês resolveu banir a obra. O pós-guerra também não lhe deu a mínima.


Primeiro incompreendido e maltratado pela crítica, hoje é considerado um dos maiores filmes da história do cinema. Filmado no início da Segunda Guerra Mundial em um clima de antissemitismo, trata-se dum retrato cruel de uma classe também cruel - e em declínio.


Felizes somos nós, "produtos" da era do digital que, se assim o desejarmos, podemos sempre revisitar obras dessa estirpe. E revê-lo é sempre um enorme prazer.


É sobre um grupo de nobres numa “shooting party”, ou uma festa de caça nos pantanais de Sologne.



De distintos cavalheiros à miseráveis serviçais, uma pequena comunidade se vê enredada em mentiras de toda sorte, prazeres ilusórios e amores impossíveis.


É crudelíssimo.


Mas para estes burgueses é a última fantasia infantil possível ao ser humano nessa cultura condenada, decadente. O filme é pura anarquia sexual, regada a Mozart, boa comida, bebida, intrigas e a jogos amorosos de acordo com as regras que só a aristocracia (francesa) conheciam.


A glória é que Jean Renoir fez de uma comédia escapista, de fina ironia a sua obra-prima.

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