• Thiago Barcellos

"Marvel Super Heróis": os desenhos (des)animados da Marvel dos anos 60

Atualizado: Set 23



A Marvel Comics atualmente comanda as telonas graças ao sucesso sem precedentes do Universo Cinematográfico da Marvel. Mas qualquer império multimídia que se preze tem que começar de algum lugar, certo? As novas audiências talvez nem façam ideia, mas a monarquia de cifras criada pelo genial Stan Lee alvoreceu em um lugar improvável: a tela da TV dum já distante 1966.


A série The Marvel Super Heroes (conhecida no Brasil como Os Marvel Super Heróis) foi uma adaptação antológica (e também atroz) das aventuras das maiores estrelas da editora . Leiam-se: o Capitão América, Homem de Ferro, Hulk, Thor e Namor; cada um com sua esdrúxula canção-tema.


Ao contrário da maioria das séries animadas que viriam a seguir, o desenho adotou uma abordagem incomum em seu estilo de animação. Basicamente, a arte era tirada diretamente dos quadrinhos. A "animação" utilizava a rudimentar técnica de xenografia, que consistia em fotocopiar as imagens das revistas que eram então manipuladas de forma que minimizava a necessidade de se criar uma animação propriamente dita.



Como resultado, a série é hoje mais conhecida por sua animação infame e barata, como apenas braços e pernas mudando minimamente de posição, movimentos labiais bizarros, efeitos de zoom para simular corridas e balões de efeitos sonoros que emulavam as clássicas onomatopeias das HQs. Por esse motivo, no Brasil, a série foi apelidada de "desenhos desanimados da Marvel". Do lado positivo, essa técnica resultou talvez nas adaptações mais fiéis de todos o tempos.


Para se tenha uma vaga ideia da "qualidade" da animação, o tempo médio de produção de um único desenho animado decente de 22 minutos na década de 1960 (como os do estúdio Hanna-Barbera por exemplo), era algo em torno de seis meses. No caso dos Marvel Super Heróis, o estúdio realizou cinco séries com treze episódios cada em menos de um ano (!).


Mesmo sendo severamente (e às vezes ridiculamente) limitada, a produção desses desenhos de baixo custo, mas amplamente distribuídos dos EUA e depois ao redor do mundo, gerou enormes lucros para a Grantray-Lawrence Animation e Krantz Films.



Embora houvesse grana limitada para a Marvel com a distribuição desses desenhos, artistas geniais como Steve Ditko e Jack Kirby receberam reconhecimento nos créditos da série, embora nenhuma compensação financeira. Se tecnicamente a animação deixava a desejar, os roteiros e a arte certamente eram de primeira. Não à toa, a série seguiu sendo reprisada nas décadas seguintes, apresentando os heróis para outras gerações.


Divididos em capítulos de 30 minutos, cada dia sobre um herói diferente, o que é mais lembrado sobre esses desenhos são os jingles pueris, musiquinhas bem bobinhas mesmo, que representavam a personalidade de cada personagem.


“Eu gostaria de poder dizer que escrevi a letra da [música-tema], porque acho que ela é brilhante”. Admitiu Stan Lee ao entrevistador Adam McGovern em 2004.

Até meados dos anos oitenta, esses desenhos foram exaustivamente reprisados em diversas emissoras. Depois disso, desapareceram como que por encanto deixando um misto de saudades e alívio.


Abaixo as aberturas dubladas quando a animação era exibida pela extinta TV Tupi e posteriormente pela Rede Bandeirantes entre os anos 60 e 70.




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