• Thiago Barcellos

Mesmo se nada der certo



Por mais dura ou triste que se pareça a realidade na qual estamos inseridos ela pode sim, se transformar para melhor com a trilha sonora certa.


Duvida?


Dan e Gretta (respectivamente Mark Ruffalo e Kira Knightley) encontraram-se em um momento delicado. Cada um, a seu modo, tentando remendar os retalhos de suas vidas e se esforçando para reencontrar seus caminhos enquanto decidem gravar um disco independente pelas ruas de Nova York.


Ele: um executivo decadente de uma gravadora que perde o emprego e se vê literalmente na sarjeta, alcoólatra e comendo o pão que o diabo amassou.


Ela: uma musicista britânica que abre mão da promissora carreira para acompanhar o namorado, um astro do rock (Adam Levine, da banda Maroon 5) que acabou de descartá-la.


Um encontro inusitado: enquanto Dan afogava suas mágoas numa garrafa de uísque em um pub poeirento, teve a certeza absoluta que quando ouviu aquela jovem munida de um violão elétrico sentada num banquinho à meia-luz, havia tirado a sorte grande.



A melhor sequência no longa, no entanto, é quando os dois decidem sair caminhando pelas ruas de Nova York compartilhando suas playlists dos respectivos Iphones (algo muito íntimo, diga-se) e ouvindo clássicos que vão das trilhas dos filmes à breguices desconhecidas.


Mesmo se nada der certo (2014) é permeado por este e por outros bons momentos.

Apesar de se desenhar como uma típica comédia romântica, o filme escapa da padronização de um gênero de filme tipicamente hollywoodiano.


Se a belíssima trilha sonora (que concorre ao Oscar esse ano) funciona como uma extensão dos diálogos, o que dizer de um filme que não tem medo de se permitir uma certa cafonice romântica?


Afinal, não somos todos cafonas quando românticos e ainda mais quando encontramos a trilha sonora certa?

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