• Thiago Barcellos

Nunca mais os os barcos de Paquetá, os faroestes na TV e a Gioconda no Louvre


MARC CHAGALL | “Sobre a cidade” | 1918


Almas desesperadas eu vos amo.


Estarei convosco em todos os nascimentos e em todas as agonias.


Mesmo que se brote o cheiro das angélicas no funeral.


Mesmo que a noite se divida em dois pedaços e se veja uma nebulosa no minguante no abismo.


Mesmo se os Crescentes fossem para a Dalmácia, e Titos, para a Galácia.


Mesmo que homens distraídos atropelem automóveis.


Mesmo que surjam serafins comportados de cabelo rente segurando a cauda do vestido.


Mesmo que o céu de alumínio destrua toda a ordem.


Tua beleza definitiva hei de contemplar .


Relâmpagos, me abracem no quarto nupcial.


E noutros tempos,


nascerei em outras terras, com novos olhos.


Haverão ali vivendas, hortas, pomares, casas de verão.


Não mais preso em formas inferiores e nem abotoado nessa pele multicor.


Ultrapassarei os vitrais da igreja


e, no galope do Pégaso, a linha do trópico de Capricórnio.


Nunca mais as macieiras da Califórnia,


carambolas chupadas no pé,


os barcos de Paquetá,


os faroestes na TV,


e a Gioconda no Louvre.


Nunca mais ferido de sentimentos,


rotulado,


desesperado.


De véu, andarei no ar e me aninharei à noiva,


que com um beijo transcenderá as agonias ardentes e insatisfeitas.


No fim, me desdobrarei em planos infinitos e em versos.

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