• Thiago Barcellos

O romantismo do cinema dos anos 80



Há uma comédia romântica pouco vista – e também comentada – que se distingue dos outros “espécimes” da mesma categoria mas que, infelizmente, está sempre excluída, sabe-se lá o real motivo, das grandes listas do gênero.


Say Anything é de 1989 e traz consigo um John Cusack que é o protótipo da visão honesta dos relacionamentos em finais dos anos 80.


Proverbialmente, e seguindo a cartilha hollywoodiana, é a mocinha que passa o filme inteiro fazendo com que o homem de seus sonhos a perceba. Mas aqui, é o sensível personagem de Cusack quem realmente investe no relacionamento, ao passo que é ela quem permanece indiferente às suas investidas românticas.


O filme vale ainda a espiada sobretudo pelo momento predileto da plateia feminina: claramente devastado sentimentalmente, seu personagem se prostra diante da casa de sua amada equilibrando na cabeça um som portátil que toca ensurdecedoramente In Your Eyes, de Peter Gabriel.



É notória a história de que Cusack, num primeiro momento, se recusou a aceitar o papel por estar farto de fazer filmes de temática high school. Ao ler o roteiro, no entanto, se convenceu que o personagem não seguia os padrões adolescentes da época (leiam-se: bêbados, mulherengos e inconsequentes).


E cá estamos nós, sempre à beira do abismo, e como nas fitas em série, salvos no último minuto.


E é por esse motivo que esse filme do diretor Cameron Crowe finda uma era de comédias românticas dos anos 80 que talvez hoje soe doce demais para a nossa sensibilidade pasteurizada.

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