• Thiago Barcellos

Stephen Sondheim, compositor de "Sweeney Todd" e "Dick Tracy", morre anos 91 anos



Stephen Sondheim, o lendário compositor e letrista de musicais da Broadway e de Hollywood, morreu sexta-feira última, aos 91 anos.


Sondheim foi o mais velho estadista do teatro americano, um iconoclasta às avessas, cuja música vital testava noções preconcebidas do público e também da crítica.


Ele criou canções memoráveis para um barbeiro assassino; um neoimpressionista neurótico e uma bruxa vingativa. Seu trabalho sempre foi repleto de ambiguidades morais, nunca fornecendo respostas fáceis ao público.


Mas, por mais que Sondheim tenha trilhado um caminho sem precedentes, ele deveu sua carreira aos grandes que vieram antes dele - um em particular.


Ele nasceu em 1930 em Nova York, filho de um estilista e fabricante de vestidos. Os pais de Sondheim se divorciaram quando ele tinha por volta dos 10 anos e sua vida artística realmente começou quando ele conheceu Oscar Hammerstein.


Sondheim logo se tornou um membro satélite da família Hammerstein, com seu patriarca, o letrista de musicais estelares como o Oklahoma! e South Pacific, agindo assim como um “pai substituto” para ele.


Sondheim inicialmente tinha projetos para ser matemático, mas em vez disso estudou música no Williams College, graduando-se em 1950. Um de seus primeiros empregos foi na televisão, escrevendo comédias.


Embora algumas de suas obras na Broadway tenham sido adaptadas para filmes - incluindo a versão da Disney de Caminhos da Floresta (2014) e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007), de Tim Burton -, Sondheim apenas se aventurou a passar um tempo em Hollywood.


Johnny Depp, Helena Bonham Carter em "Sweeney Todd" (2003)

Ele juntou forças duas vezes com Warren Beatty, ganhando o Oscar de Melhor Canção Original por sua contribuição para Dick Tracy (1990) e compondo a trilha sonora para Reds (1981), filme estrelado pela dupla Diane Keaton e Jack Nicholson, um petardo político sobre a vida de John Reed, jornalista norte-americano que viaja à Rússia para documentar a Revolução Boleshevik e retorna um revolucionário.


Além desse Oscar e dum Pulitzer, Sondheim recebeu a maioria das honrarias disponíveis para alguém de seu ofício - incluindo uma Medalha Presidencial da Liberdade, sete Grammys, sete prêmios Tony, bem como um prêmio especial pelo conjunto da obra oferecido pelo American Theatre Wing, organização amplamente dedicada a apoiar a excelência no teatro.


Como figura pública, Sondheim não existia muito fora de suas canções. Ele era gay, mas raramente falava sobre sua sexualidade ou fazia referências explícitas a temas queer em seu trabalho.


Ele resistiu a qualquer insinuação de que Bobby, o protagonista de seu musical Company (1970), era homossexual até que se inscreveu para trabalhar em uma versão revisada da obra em 2013.


Madonna, Al Pacino e companhia limitada em "Dick Tracy" (1990)

Certa vez, seu amigo, o escritor Frank Rich, num artigo pra a revista New York escreveu que Sondheim era alguém “que pode explicar cada nota escrita em palavras com autoridade meticulosa. entretanto, seus próprios sentimentos são bloqueados com tanto sucesso que ele mesmo não se entregou a um relacionamento romântico sério até completar 60 anos ”.


Mas mesmo que fosse reticente em compartilhar qualquer coisa sobre sua vida pessoal, Sondheim constantemente examinava as nuances e complicações humanas em seu trabalho.


Ele provou que uma música não precisa ser banal ou simplista, mas pode conter frustração e confusões de toda ordem. Pensem nessa letra de “Moments in the Woods” de Caminhos da Floresta, em que a esposa do padeiro, tendo acabado de ter um caso com um príncipe bonitão, considera, apinhada de dubiedades, suas opções. Ela se pergunta em solilóquio:


"O que eu almejo afinal? / E se eu for o que um príncipe deseja? / E se eu não for o que ele acha que quer? / Por que não ficar e ser capturada? / Já sei qual é minha decisão: é não decidir nada!"


A existência de Sondheim pode ter parecido grandiosa, mas ele pediu ao público que considerasse o meio-termo.

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