• Thiago Barcellos

Tarcísio Meira: heroico, majestoso, brasileiro e eterno

Atualizado: Ago 13



A mandíbula era colossal, magnética e se alinhava poderosamente ao rosto quadrado que fotografava bem de qualquer ângulo. Galã incontornável da teledramaturgia brasileira, a história de Tarcísio Meira se confundia com a da TV.


De carreira longeva e astro no sentido lato do termo, estreou na pioneira TV Tupi, no final dos anos 50, emissora onde aliás, conheceu Glória Menezes, sua escudeira fiel por longos 60 anos.


Se enveredar para o cinema era apenas questão de tempo. Em 1963, a oportunidade chegou através da figura de Glauco Mirko Laurelli, que o dirigiu em Casinha Pequenina, sucesso absoluto de Mazzaropi.


Na tela grande, foi dirigido por grandes e diversos: Daniel Filho, Bruno Barreto, Carlos Coimbra, Hugo Carvana, Anselmo Duarte, Glauber Rocha, Walter Hugo Khouri, enfim, uma constelação.


Nos anos de chumbo, estrelou Independência ou Morte, de Coimbra, onde protagoniza dom Pedro 1º, filme corajoso, filmado em pleno governo Médici.


Em 80, faz A Idade da Terra, de Glauber, fracasso de crítica e público, mas que com o passar dos anos se revelaria como uma obra-prima do cinema brasileiro. Aqui, furou de vez a bolha da teledramaturgia tupiniquim onde encarnou o Cristo Conquistador do Terceiro Mundo, uma súmula ficcional de vários aspectos da formação do País.


Nesse antiépico de Glauber Rocha, Meira sambava, de sorrisão largo, enorme, cheio de alegria, carisma, que o confirmava como um ator plural, um dos maiores de seu tempo.



Em 1981, Tarcisão estrela Eu Te Amo, de Arnaldo Jabor, e Beijo no Asfalto, baseado em Nelson Rodrigues e dirigido por Bruno Barreto. Um ano depois, dedica-se a Walter Hugo Khouri, com quem fez Amor, Estranho Amor, polêmico filme estrelado pela Xuxa.


A excepcional comédia de Hugo Carvana, Não se Preocupe, Nada vai dar Certo!, de 2011, foi sua despedida. Aqui, se encontraria bem à vontade, encabeçando um trambiqueiro, cujo filho é interpretado por Gregório Duvivier.


Foi tudo. Foi grande, grave, policial, Capitão Rodrigo, sambista, Irmão Coragem, solene e, no final, cômico.


Famoso na TV, foi a tela grande que o ajudou a se consolidar como um dos maiores nomes do audiovisual brasileiro, nos últimos 60 anos.

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