• Thiago Barcellos

Um filosófico arranca rabo raiz



A mera possibilidade de uma hecatombe nuclear após os bombardeios atômicos em Hiroshima e Nagasaki no Japão em 1945, geraram não apenas um sentimento de medo e desolação naquele país, mas o assunto foi também tema, anos depois, de produções de baixo orçamento do então engatinhante e popular gênero kaiju.


Nesses filmes kaiju, monstrengos mutantes enormes criados através de acidentes radioativos devastavam cidades japonesas deixando vestígios de destruição por onde passavam.


Godzilla é a criação de um ser assustador devido à exposição à radioatividade que surge num contexto de um povo que não havia superado o horror da bomba atômica. Os próprios japoneses transformaram seu medo em filme de terror e eis Godzilla, um bicho horripilante que dizima o Japão num piscar de olhos.



Godzilla (ou Gojira como é chamado por lá; mistura de “gorila” e “baleia”) é um destes kaiju, concepção da Toho Pictures em 1954, um descomunal réptil de presas poderosas e placas ósseas de um estegossauro e que cospe rajadas radioativas através da bocarra ancestral.


Já King Kong estreou nas telonas em 1933, e Godzilla, duas décadas depois, em 1954.


Kong é um primata da altura dum arranha-céu que salta através das selvas - tropicais e de concreto -, como um astronauta saltitando na lua. Pode ser o melhor filme de estúdio (a Warner) até agora neste ano. Se não for, é com certeza o mais divertido.


Este Godzilla vs. Kong ganha pontos por ser uma surpresa deliciosa e literalmente aterradora. Estamos aqui falando de bravatas titânicas como nos velhos tempos. Nesse caso, o velho lagartão gorducho, pré-jurássico, versus o símio dos símios.


Outra coisa: esqueçam o cast “humano”. Eles não são lá de grande relevância.

O ponto aqui são as belíssimas sequências de destruição e, claro, o elenco de bichões que agradam. E muito.



Ao final do filme, depois de pugilismos mil, inúmeras questões filosóficas recaem.


Existem ou existiram outros primatas titânicos? O pobre Kong sempre foi o único na Ilha da Caveira? Bom, vimos os ossos de outras pessoas, certo? Eles foram mortos por outras feras? Elas morreram de causas naturais antes de Kong nascer? Pelo menos Kong sabe agora que ele é um rei por direito de nascença e nobreza inata. Kong viu aquele castelo em ruínas. Ele entrou no grande salão, sentou-se no trono e segurou um machado na mão. Feito o Conan. Talvez ele tenha imaginado o domínio sobre reinos há muito desaparecidos.


E a iguana mastodôntica, o Godzilla? Ele visitou Atlantis. Fato. Mas ele a governou? Ou ele apenas aparecia de vez em quando, para lembrar aos atlantes quem era o chefe? Ele afundou o lugar? Se sim, ele se arrepende?


Imaginem Godzilla e Kong em uma cafeteria, filosofando.

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