• Thiago Barcellos

Uma lenda chamada Marlon Brando

Atualizado: Mai 19



De acordo com o jornal LA Times: “Marlon Brando era rock n' roll antes que alguém soubesse o que era rock n' roll”.


Feral, cru, físico e vulnerável, Brando foi indiscutivelmente o ator mais instintivo do século XX. Defensor do Método - uma técnica psicológica improvisada e ensinada a ele por Stella Adler no lendário Actor's Studio. O ator eletrizou o público de filmes na década de 1950 com uma série de papéis grosseiros e de indomáveis operários.


Uma das mais magistrais interpretações de Marlon Brando no cinema é em A Streetcar Named Desire (1951).


A fita é de Elia Kazan baseada na peça original do dramaturgo Tennessee Williams.

Poucos diretores americanos – excetuando nomes do quilate de John Ford, Howard Hawks, Billy Wilder e Hitchcock –, possuem currículo comparável a Kazan. Não se conhece, por exemplo, quem não o respeite pelos serviços prestados ao cinema americano nesses tantos anos de trabalho.


O filme é o drama a respeito das frustrações de uma mulher angustiada, miserável moralmente, sensível e traumatizada pela própria ruína amorosa.


Vivien Leigh é Blanche DuBois, essa mulher frágil frente a um homem vigoroso e verdadeiramente primitivo em sua agreste espontaneidade.


No filme, o homem é o Stanley Kowalski de Marlon Brando. Ele é a réplica imediatista, viril e sem arestas à decadência aristocrática de Vivien Leigh e sua Blanche.


Kowalski é um personagem permanentemente voltado para o presente. O importante para ele é o agora. Seu apreço é apenas por suas necessidades básicas primárias: comer, dormir, fazer sexo, jogar e beber.




No filme, Vivien Leigh se sente ferida e, ao mesmo tempo, irremediavelmente atraída pela rispidez de Brando, seu cunhado.


No aniversário de Blanche, e quando todos estão todos à mesa e gozando de suas maneiras rudes, ele dá com a mão num prato, e possesso de uma cólera infernal, levanta-se da cadeira feito um animal e enquanto mastiga o resto dos fiapos da galinha, discorre acerca de como é importante o papel de um rei num pequenino feudo, metaforizando o quão é fundamental o espectro masculino em sua própria casa. Todos ficam feito lebres acuadas perante a sua robustez e magnitude masculina.


Um dos atores mais brutalmente honestos de Hollywood, Brando disse certa feita sobre Vivien Leigh: “Ela era Blanche Dubois. Como Blanche, ela dormia com quase todo mundo e estava começando a se dissolver mentalmente e a se desgastar fisicamente".


Brando – e Leigh por conseguinte - , nos dão todo o espectro da natureza humana. Ambos não se vangloriam nem tem ilusões.

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