• Thiago Barcellos

Vinícius de Moraes, Baden Powell e um samba "plagiado"



A história de "Samba em Prelúdio" é genial, e é contada pelo próprio Baden Powell ao diretor de televisão, produtor e jornalista Fernando Faro.


O ano era 1962 e, segundo Baden, eis que este chega à casa de Vinícius em Petrópolis, no Rio, com um 'samba novo'. Isso era por volta das 22hrs. Começaram, como de praxe, tomando um insuspeito uisquinho. Engatam o papo regado a cigarros e a doses de Vat 69.


Lá pelas 3 da matina, Baden, na viração da terceira para a quarta garrafa indaga ao poetinha: "E a letra do samba, Vininha? Como é? Sai?". Vinícius se esquiva, e diz que o que ele tem pra dizer sobre a melodia do parceiro é meio desagradável, e quer deixar pra um outro dia.


Baden insiste muito até que Vinícius desabafa: "Sabe o que é? Me parece que essa música é plágio."


Baden quase tem uma síncope, acusa Vinícius de ter bebido demais, e diz que isso é impossível, e que a música foi feita entre um dia e outro.


Vinícius insiste de que aquilo é "Chopin puro". Baden rebate dizendo que conhece todos os prelúdios de Chopin, e que o que ele compôs não tem nada a ver, nem de longe, com Chopin. O poetinha então, tem a "brilhante ideia" de acordar Lucinha (Maria Lúcia Proença), sua mulher à época, pra pedir a sua opinião, já que esta, segundo ele, toca bem piano e que o seu predileto é o próprio Chopin.



Eram 6 da manhã quando Vinícius acorda a esposa, ela se senta na sala, dá bom dia pra ambos, e escuta a melodia no violão de Baden por duas vezes e sentencia: "Isso não é Chopin".


E Vinícius diz: "Então Chopin se esqueceu de fazer essa!".


Vininha senta-se na máquina de escrever, e faz a letra de "Samba em Prelúdio".



Ouça na voz de Maria Creuza, Vinícius e Toquinho:



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